Sra. E.

“Em nenhum momento alguém do Estado veio até minha casa para perguntar quais os benefícios que nós recebemos. Eu iria gritar que não recebemos nenhum. Eles querem nos cobrar, mas não respeitam nossos direitos.”

A Sra. E. é atendida pela AMPARAR desde 2020, quando recorreu à Associação para receber cestas básicas. Ela é uma mulher negra, sobrevivente do cárcere, que mora em uma ocupação no bairro de Sapopemba. Recentemente foi realizado um atendimento a partir de visita domiciliar à sua residência. Ao chegarmos nos deparamos com uma situação desalentadora: sua filha e seus dois sobrinhos haviam sido encaminhados para acolhimento. Conversando com a Sra. E. ela narrou um episódio muito violento em que viaturas da polícia militar chegaram para recolher as crianças. Disse que ela e as crianças ficaram muito assustadas, além de envergonhadas, pois parecia que as crianças eram criminosas, partindo na viatura policial. A Sra. E. cuida sozinha da filha e tem cuidado dos sobrinhos, filhos de sua irmã. Há anos a Sra. E. cuida também de sua irmã, que se encontra acamada com câncer avançado. Todos moram juntos para facilitar o cuidado conjunto e porque só têm verba para manter uma casa, já que sobrevivem com a renda fixa provida pelo Bolsa Família e eventuais bicos que a Sra. E. consegue. Como disse a Sra. E.: “Em nenhum momento alguém do Estado veio até minha casa para perguntar quais os benefícios que nós recebemos. Eu iria gritar que não recebemos nenhum. Eles querem nos cobrar, mas não respeitam nossos direitos.” O caso foi escolhido como história inspiradora pois a partir da visita foi possível realizar alguns encaminhamentos buscando melhorar a situação da Sra. E. e de sua família. Foi feito encaminhamento para o Projeto Ciranda, para que a família seja acompanhada por equipe disciplinar junto à rede de serviços, para a Vara da Família da Defensoria Pública do Estado, para que a Sra. E. consiga autorização para visitar as crianças no abrigo onde se encontram, e para o CREAS da região, para entrar com pedido de acesso ao benefício LOAS em razão da doença da irmã e ao Bilhete Único especial para pessoa em tratamento e acompanhante.

 

Mãe

A AMPARAR foi contatada por uma mãe que já era acompanhada pela Associação em razão de ter um filho privado de liberdade. Ela solicitou ajuda para lidar com seu filho adolescente, que está se questionando sobre sua identidade de gênero e sobre sua sexualidade. Explicou que ela e seu marido são pastores da igreja evangélica e não têm familiaridade com o tema, por isso contataram a AMPARAR. Foi relatado pelos pais que observam um movimento de isolamento do adolescente, que tem perdido o interesse em comparecer à escola e ao curso profissionalizante, bem como tem deixado de comparecer à igreja, onde antes participava do coral. A AMPARAR junto com o CEDECA Sapopemba realizou uma visita domiciliar para a família no mês de outubro e vem desde então realizando o acompanhamento familiar. Durante a visita foi realizada uma conversa com o adolescente, que ainda prefere ser tratado no  masculino, bem como foi realizada uma conversa com seus pais. O esforço da equipe de atendimento foi garantir que o adolescente compreenda que ele tem uma rede de apoio a qual ele pode recorrer para compreender melhor seus processos pessoais e não fique exposto somente às condições culturais dos pais. Também foi realizado um esforço para que os pais busquem compreender os processos pelos quais o adolescente está passando, assegurando que eles também tenham acesso a uma rede de apoio para onde possam recorrer em caso de dúvidas. Foi feito um encaminhamento para o acompanhamento psicológico do adolescente. Este caso foi escolhido como emblemático pois, além da delicadeza do processo de questionamento da
identidade de gênero e da sexualidade do adolescente, entendemos a importância da iniciativa da mãe de acionar pessoas de referência que pudessem ajudá-la a compreender e acolher seu filho.

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